Review: Wish na Amsterdam — Underground em Salvador

33
viram

Salvador é conhecida pelo axé, pelas multidões no carnaval e pelo seu calor — tanto humano quanto no seu clima. Mas na noite da quinta-feira, dia 12 de julho, aquele que passeava pelo icônico bairro do Rio Vermelho se surpreenderia com o rolê que estava se desenrolando dentro da pirâmide mais badalada da cidade.

Em clima de chuva, com um ambiente intimista e tocando o mais fino do eletrônico underground, acontecia a primeira edição da festa Wish, que aportou na recém inaugurada Amsterdam Rio Vermelho para selar o tom da noite. Nas pick-ups: Moika b2b Luca Buzanelli, Leo Janeiro e Rodrigo Bouzón b2b Toko.

A Amsterdam, para quem não sabe, foi uma proeminente venue da capital baiana na última década. Antes situada no formidável Largo dos Aflitos, ela foi recentemente relocada para o bairro do Rio Vermelho, na pirâmide onde outrora existiram a Pink Elephant, Zero e XYZ.

Atualmente, a Amsterdam divide espaço com a nova San (San Sebastian), considerada a maior referência de casa noturna da cidade, e conta com a decoração do seu sócio Rodrigo Smith, bem como com duas pistas de dança impecavelmente preparadas para o nosso entretenimento e lazer. É simplesmente envolvente encontrar-se rodeado de casinhas ao melhor estilo europeu, incluindo uma suposta vitrine de striptease aberta ao público, um caixa que se intitula banco e um bar que se autodenomina moinho.

Foi nesse ambiente original que o empreendedor e DJ, Rodrigo Bouzón, junto com seu sócio, o produtor Vitor Rocha, inauguraram a festa Wish. A Wish promete trazer, a cada mês, atrações de peso da cena underground da música eletrônica, para se reunirem e celebrarem juntos com o público soteropolitano.

O Rodrigo Bouzón, queridíssimo da cena local, é o idealizador e força motora por trás do Inferninho, Concept Content, dentre outras empreitadas da e-music local. O Vitor Rocha, também apelidado carinhosamente por Cego, deu nome à sua boate Blind Experience Club, que outrora trouxe vida ao bairro da Barra.

A noite começou com os respeitados Luca Buzanelli e Moika, fazendo um excelente passeio entre o tech-house mais robusto e aquele mais melódico. Perfeito em um warm-up convidativo para um público que começava a chegar.

Luca Buzanelli acabou de lançar o seu single “Dirty”, essa semana (10), pela Sony Music, com quem acaba de assinar contrato. Moika, projeto de Gabriel Sampaio, agita as pistas da Sollares na cidade e já tocou com grandes nomes como Sharam Jay, Ann Clue, André Gazolla, Eli Iwasa, Fabricio Peçanha, Albuquerque, Flow e Zeo, dentre outros.

O relógio já marcava 1:30am quando o headliner da noite subiu ao palco. Leo Janeiro não contou conversa e já chegou mantendo a pista pulsando com a mesma consistência que o Luca e o Moika já vinham fazendo.

Após alguns minutos seguindo uma linha de tech-house mais rítmica, Léo surpreendeu a todos dando vazão a outros estilos da eletrônica como o house, passando inclusive pelo acid, e preenchendo a pista com seus vocais melódicos e drops cheios de harmonia. Sucesso garantido, a pista já estava quente e os subs pulsavam as frequências mais graves com exímia eloqüencia.

Leo Janeiro, para quem não o conhece, é um expoente da cena nacional e internacional da música eletrônica underground. Ele é residente da Warung Beach Club e da Beehive, já tendo lançado em selos como a Warung Rec., Suara, Go Deeva, Mr Carter, D-Edge Records, Not For Us e D.O.C.

Para encerrar a noite, foi a vez do dono da festa, Rodrigo Bouzón, fazer um b2b com Toko. Sem deixarem a desejar após a impecável execução do Leo, o duo abriu o set deles fazendo uma transição honrosa para um dos remixes do instant classic de 2016 do Isaac Tichauer, “Higher Level”. O resto do set foi consistente e manteve a pista vibrando pelas últimas horas da noite.

Rodrigo Bouzón, como supracitado, é um dos centroavantes da música eletrônica na cidade de Salvador e lidera grande parte dos projetos neste sentido na capital.

Em linhas gerais, a festa foi uma excelente pedida para uma noite chuvosa de uma quinta-feira em Salvador. Entre amigos e conhecidos, na festa podia-se respirar um clima intimista e acolhedor como bem a Bahia sabe oferecer.

A Wish já está planejando as suas próximas edições e nós da Tacitera, certamente, estaremos conectados, para tornar a viver bons momentos como os que nos foram proporcionados.

Enquanto isso, mantenha o ritmo pulsando.

COMPARTILHAR